Theatro São Pedro - Porto Alegre

Operita Violoncello, de Arthur Barbosa, que estreia no Theatro São, em julho, vai surpreender pelo ineditismo

Ópera de câmara com libreto de Álvaro Santi, encenação de Jacqueline Pinzon e coreografias de Raul Voges faz temporada de 13 a 15 de julho.

INGRESSOS ESGOTADOS

Depois de ter tido sua estreia cancelada devido à pandemia do Covid-19, a Operita Violoncello já tem data marcada para se realizar e de forma presencial. As récitas ocorrem no Theatro São Pedro nos dias 13, 14 e 15 de julho, de terça a quinta-feira, em diferentes horários, seguindo todos os protocolos de higiene e distanciamento. A classificação indicativa é a partir de 12 anos de idade. Os ingressos poderão ser retirados na recepção do Multipalco (das 13h30 às 18h), mediante doação de 2kg de alimento não perecível.

Horários das Sessões
13 de julho: 2oh – ensaio aberto
14 de julho: 16h e 20h
15 de julho: 20h

 

Este projeto é realizado com recursos da Lei nº14.017/2020, Lei Aldir Blanc, por meio do Edital Sedac nº 09/2020 – Produções Culturais e Artísticas.

A ópera de câmara em um ato composta e regida pelo maestro Arthur Barbosa, com libreto de Álvaro Santi, tem como tema central o violoncelo. A montagem traz à cena um elenco renomado, protagonizado pela mezzo-soprano Angela Diel, pelo baixo Daniel Germano e pelo bailarino e coreógrafo Raul Voges, além de um conjunto de dez violoncelistas, um percussionista e duas bailarinas/atrizes, Pâmela Manica e Janaína Nocchi. Conduzindo este elenco, está a atriz e diretora teatral Jacqueline Pinzon. “Na verdade, me defino como encenadora”, corrige, e enfatiza: “para mim, encenar é propor. É realizar uma escritura no espaço e no tempo, a qual se configura a partir do uso criativo da linguagem da cena. Todo encenador faz isso, independentemente da pré-existência de qualquer material, seja ele musical ou dramatúrgico”.

Um dos diferenciais desta obra original de Arthur Barbosa é o fato de o compositor concebê-la para ser executada somente por um ensemble de cellos, em lugar de uma orquestra tradicional. Segundo o maestro, a concepção de Operita Violoncello seguiu a lógica de todo processo criativo. “A gente pena um pouco, é sempre doloroso, mas quando a obra está criada e vem o parto, temos aquela realização pessoal de ter gerado um filho”, opina.

Ele explica que o som da orquestra de violoncelos é muito peculiar, ainda que sejam escassas as obras para esta formação. “Por isso, o ímpeto de criar nossa própria obra. Será inédito, especialmente para o público”. Ressalta, ainda, a presença de um percussionista, que nesta montagem esta representada por Jorge Matte, que irá garantir um toque de latinidade à formação operística. “Eu me inspirei na música da América-Latina, pelo fato de a trama se
passar em um país qualquer deste continente. O público pode esperar uma musicalidade envolvente, com muito tango e ritmos do Sul do Brasil, como a milonga”, comenta.

No libreto de Álvaro Santi acompanhamos o drama de Maria que ama tocar e dedica-se totalmente ao violoncelo. O instrumento, por sua vez, assume a forma humana, e assim, a paixão entre ambos se corporifica e passa do campo das ideias para a paixão sensual. Mas na vida da artista surge Juan, um jovem sedutor que quer Maria somente para si. Neste dilema, o seu instrumento, o violoncelo, sente-se “traído” e assim inicia-se um improvável triângulo
amoroso com grandes e transformadoras consequências para Maria e seus amores.

Poeta e compositor premiado, Álvaro Santi possui diversos poemas publicados. (seu último livro foi Nenhum amor igual ao meu, lançado em 2019). “Eu já tinha o enredo da ópera, mas foi Álvaro que desenvolveu essa história de amor, envolvendo esses três personagens”, relata Arthur Barbosa. “Foi um trabalho tranquilo. Ele fez o poema e eu transformei-o em música”, diz. Ele conta que uma boa parte da música já havia composto, mas não tinha os diálogos. “O Álvaro ficou livre pra fazer a parte dele. Trocamos impressões o tempo inteiro, até chegarmos a um texto final, a partir do qual comecei a compor as canções que faltavam. Foi todo um processo de composição em dupla onde eu transformava os diálogos criados em música”, narra.

Uma ópera, do ponto de vista de sua montagem, se constitui num intrincado quebra-cabeças que exige muita atenção. Como encenadora da Operita, Jaqueline Pinzon busca imprimir uma expressão audiovisual por meio da qual possa deixar certos espaços, clareiras de significado e interpretação para o espectador olhar e resolver. “Não que me furte a contar a história, mas não revelo todas as particularidades de imediato, vou com calma, no andamento da música, por
assim dizer. Assim, encenar Operita Violoncello, para mim, é jogar alguma luz (ou mesmo alguma sombra) sobre algo que já está lá e que talvez não tenha ainda se dado a ver ou sentir. Porém, encenar esta ópera pode ser, igualmente, escolher um caminho original e impensado para viabilizar o encontro entre o espectador e a obra. Assim, me explico”.

Ópera Inédita
Operitta Violoncello seria inédita em sua proposta? Arthur Barbosa ressalta que não tem conhecimento, no mundo, de uma ópera feita com orquestra de cellos. “E se houver, serão poucas e desconhecidas”, reforça. “Eu arrisco dizer que esta proposta é inédita no Brasil. Apesar de não ter realizado uma pesquisa a fundo, o fato é que não encontrei nenhum indício da existência de uma obra similar no mundo”, enfatiza.

Para a formação desta orquestra singular, Barbosa recorreu a excelentes cellistas que atuam no Estado. São eles: Phil Mayer, Rafael Honório, Martina Ströher, Isadora Gehres, Jonathan Santos, Paula Schäffer Saraiva, Murilo Alves, Estela Deunisio, Rodrigo Alquati, Tácio Vieira. Completam a formação, o percussionista Jorge Matte e o pianista Fernando Rauber, responsável pela preparação dos cantores.

Os ensaios cênicos para a Operitta Violoncello, envolvendo músicos, cantores e bailarinos, já começaram, sob a coordenação da encenadora Jacqueline Pinzon. Arthur Barbosa já concluiu a parte da orquestração e os músicos já estão de posse de suas partituras. Os ensaios estão em fase de finalizaçãoo e detalhamento, etc, etc. Interpretando os papeis principais, estão Ângela Diel, Daniel Germano e Raul Voges, artistas com os quais Arthur Barbosa já teve oportunidade de trabalhar inúmeras vezes, em diversos concertos com a Ospa.

“Nada mais natural que a gente conheça as pessoas e vá trabalhando com elas. A Ângela foi quem primeiro pensei para o papel. Depois precisávamos encontrar um cantor que encarnasse o Juan e a escolha de Daniel Germano foi acertada”, opina. “Para interpretar o violoncelo, convidamos Raul Voges, que é um excelente bailarino e com quem eu já havia trabalho em Chimango”. É dele, também, a coreografia do espetáculo.

Sobre a coreografia, Raul Voges destaca que a pesquisa iniciou pela observação dos movimentos de musicistas com violoncelo. “Tentamos, de diversas formas, que este universo de gestos e movimentos, pudesse se fazer presente nos corpos de todo o elenco”, explica. “Assim, criamos e elegemos nossas partituras, somando a linha narrativa da história, às nossas criações de movimento e interpretação”, conclui.

Em uma época em que toda a cadeia produtiva das artes sofre com a falta com os efeitos da pandemia, que atingiu sobremaneira os artistas; da falta de incentivos; corte de patrocínios, em meio a uma recessão econômica, conviver com a retração da atividade cultural se tornou uma realidade dura de ser enfrentada. Com a extinção de diversas orquestras no Estado, a montagem de uma ópera se torna uma empreitada das mais desafiadoras. “Eu penso que a
montagem de Operita Violoncello é como um respiro, neste momento”, avalia o maestro. “A ópera, seja brasileira ou estrangeira, precisa ser valorizada, porque é um gênero completo, que envolve todas as artes: temos a as artes plásticas com os cenários, as artes musicais com os músicos, as artes cênicas com a representação, e a dança, ou seja, coexiste uma gama de linguagens, que tornam a ópera um dos gêneros artísticos mais completos que conheço”.
O libreto de Álvaro Santi conta a história de um violoncelo em forma humana, ideia que, por sua vez, nasceu como uma homenagem do compositor Arthur Barbosa e de Álvaro a este instrumento de timbre tão especial. Mas como apresentar um instrumento que toma a forma humana? Jaqueline diz que fez algumas escolhas neste sentido. “Espero que a plateia as acompanhe, ou ao menos as considere como algo a ser apreciado esteticamente”, afirma.

“Acredito que o público de ópera, de Porto Alegre, que é numeroso e bastante apaixonado, pode esperar um espetáculo diferente, ousado e não tradicional na abordagem dos personagens, com Angela Diel muito sexy e defendendo um personagem muito diferente da imagem que seu público tem dela, evidentemente, tudo feito com a classe que lhe é peculiar”, observa Jaqueline. “Também destaco o traçado coreográfico e de desenho das movimentações que tenta sair da obviedade; a ousadia no trato com a visualidade do espetáculo e das imagens em vídeo e sua interação com a cena ao vivo”, conclui.

“Porto Alegre precisa de óperas e a gente carece, também, de apoio. Então, quanto mais iniciativas surjam, mais temos que louvá-las, agradecer e pedir para que se mantenham e que as pessoas apoiem”, argumenta Arthur Barbosa. “É muito importante que nesse momento, em que a produção de óperas está em baixa, eu possa contribuir com uma obra de minha autoria. É um prazer fantástico”, finaliza.

Ficha Técnica:
Operita Violoncello
Opera Studio Porto Alegre

Direção Artística, Composição e Regência: Arthur Barbosa
Libreto: Álvaro Santi
Encenação: Jacqueline Pinzon
Coreógrafo, Ator e Bailarino: Raul Voges
Solistas: Angela Diel (Mezzo Soprano) e Daniel Germano (Baixo)
Bailarinas: Pâmela Manica e Janaína Nocchi
Participação especial: “Buzz”
Orquestra de Violoncelos: Phil Mayer, Rafael Honório, Martina Ströher, Isadora Gehres, Jonathan
Santos, Paula Schäffer Saraiva, Murilo Alves, Estela Deunisio, Rodrigo Alquati, Tácio Vieira
Percussionista: Jorge Matte
Pianista Preparador dos Cantores: Fernando Rauber
Inspetor de Orquestra: Fábio Kremer
Figurinos: Antonio Rabadan
Cenário: Raul Voges
Visagismo: Cassiano Pellenz
Iluminação: Maurício Moura
Fotografia: Cláudio Etges, Fábio Kremer
Vídeos: Maurício Casiraghi
Arte Gráfica: EROICA – conteúdo
Gravação de som e vídeo: Empresa Celito Sonorização
Técnicos Celito Borges e Alexandre Scherer
Cenotécnica: Paulo Pereira
Adestramento: Jone Cardoso
Tradução em Libras: Simone Dornelles
Assistente de Produção: Lorena Sanchez
Mídias Digitais: UPA Digital
Assessoria de Imprensa e Divulgação: Sílvia Abreu by Consultoria Integrada de Marketing
Produção Executiva: Adriane Azevedo
Planejamento e Gestão: Cida Cultural
Realização: Angela Diel Produções