O ESTRANGEIRO (RJ)
14/03/2010 às 18:00


 Guilherme Leme encena “O Estrangeiro” de Camus com direção inédita de Vera Holtz e um desafio para o iluminador Maneco Quinderé

"O Estrangeiro", um dos mais famosos romances do século XX, escrito pelo francês Albert Camus, conta a história de Meursault, um personagem que leva uma vida banal. Recebe a notícia da morte da mãe, comete um crime, é preso, julgado, tudo gratuitamente, sem sentido, sendo assim mais um homem arrastado pela correnteza da vida e da História. Seu drama pode ser lido como o drama de qualquer pessoa do seu século, que se depara com o Absurdo, ponto central da obra de Camus.

Na trama, Meursault não encontra explicação nem consolo para o que acontece em sua trajetória, tudo acontece à sua revelia e nada faz o menor sentido. Ele não acha explicação na fé, religião ou ideologia, não tem onde se amparar. O que pode ser visto como uma vantagem: esse homem é livre, pode se fazer a si mesmo, sua vida está em aberto. Ele se depara, e se angustia, diante da Liberdade e do Absurdo. “Além de ser uma narrativa seca das desventuras de Meursault, condenado à morte por matar um árabe, é também uma autobiografia de todo mundo, do homem contemporâneo”, conclui Guilherme Leme.

 

Tudo começou na Dinamarca, onde Guilherme e Vera Holtz foram passar o Natal há dois anos. Lá conheceram a versão do ator, diretor e amigo dinamarquês. “O Morten já tinha montado a peça e me deu pra ler a adaptação. Eu já gostava do livro e fiquei encantado com a possibilidade de levar O Estrangeiro aos palcos”, conta Guilherme.

            O processo levou dois anos de maturação com leituras dramatizadas para amigos e público.  Guilherme realizou uma primeira leitura na Casa da Gávea com direção de Vera Holtz. Em Brasília, fez uma leitura dramatizada com encenação dos irmãos Guimarães no teatro da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. E, recentemente, uma leitura para público na Oficina da Palavra – Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Teve também alguns encontros de processo criativo com a amiga e diretora Monique Gardenberg, o filósofo Fernando Muniz e o jornalista e crítico literário Manoel da Costa Pinto. “É como se eu tivesse feito alguns workshops pelo Brasil até chegar o ponto de estrear mesmo, como uma fruta que amadurece, então chamei a Vera para me ajudar na direção, já que ela estava presente no ponto inicial da história”, explica Leme.

Mesmo cheia de compromissos na tv, Vera Holtz aceitou o desafio de dirigir o amigo. “Aceitei dirigir o Guilherme porque somos amigos há 20 anos e existe uma cumplicidade muito grande entre nós. Já trabalhamos juntos na tv e no palco, mas agora posso exercer um outro olhar, ver o Guilherme de fora”, explica.

Outro desafiado nesta história é o consagrado iluminador Maneco Quinderé. Gulherme explica: “O Sol é fundamental no livro do Camus, o Sol é na verdade um personagem da história e eu queria contracenar com o Sol na peça. Cheguei pro Maneco e falei. Você não vai iluminar, você vai atuar comigo em O Estrangeiro. E o Maneco também aceitou sua primeira participação como iluminador/ator”. Completam a ficha técnica a jovem e talentosa cenógrafa, Aurora dos Campos, de A Forma das Coisas e Os Quartos de Tenesse, além da trilha incidental criada por Marcelo H.
























 
 
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