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THEATRO SÃO PEDRO


Theatro São Pedro
Theatro São Pedro abandonado        Desde o período colonial, governantes e a população de 20 mil habitantes da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul acalentavam o sonho de construir um teatro que abrigasse com dignidade as diferentes manifestações culturais.
        Com o surgimento de um movimento para a edificação de um teatro no centro da capital gaúcha, o Presidente da Província, Manoel Antônio Galvão, que em 1833 emitira uma carta de título de doação do terreno, autoriza em 1847 - após a Revolução Farroupilha - um empréstimo dos cofres provinciais para a construção do Theatro São Pedro, com projeto de Filipe de Normann.
        Polêmicas intermináveis e falta de recursos seguiram-se ao longo das obras, iniciadas em 1850 e  que se arrastaram ao longo de oito anos.
        Finalmente, em 27 de junho de 1858, o público pode conferir em uma noite de gala e a grandiosidade da edificação, que se trasformou em pólo artístico, social e político no país. Durante 126 anos o Theatro recebeu em seus camarotes, galerias e palco diversas personalidades artísticas: Arthur Rubinstein, Villa-Lobos, Eugène Ionesco, Cacilda Becker, Marcel Marceau, Olavo Bilac, entre outros, e políticos como Getúlio Vargas e Borges de Medeiros.
        Contudo, os cupins marcaram uma pausa na história do TSP, que por pouco não desabou durante um concerto. Então, em 1973, o espaço foi fechado devido às precárias condições de segurança e mau estado de conservação.

A CHEGADA DE EVA SOPHER NO THEATRO SÃO PEDRO
Theatro São Pedro 2007
Eva Sopher - Equipe de Obras
        Por nomeação do então Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Synval Guazelli, Eva Sopher assumiu em 1975 a direção do Theatro São Pedro, com a incumbência de dirigir as obras da total reconstrução e restauração deste monumento histórico-cultural do nosso Estado.
Seus 1.880 metros quadrados de área útil foram dotados de todos os recursos modernos: equipamentos cênicos, serviços hidrossanitários e um moderno sistema de iluminação.
                Com a criação da Fundação Theatro São Pedro, em 18 de março de 1982, Dona Eva (como é conhecida), foi nomeada, pelo Governador do Estado, como a Presidente da FTSP.
      Após nove anos de dedicação integral às obras, o Theatro São Pedro é devolvido à comunidade, em 28 de junho de 1984. 
Um mês depois de reaberto, o então Governador Jair Soares assina portaria autorizando o tombamento do prédio. 


ASSOCIAÇÃO AMIGOS DO THEATRO SÃO PEDRO


        Fundada em 1985, a AATSP é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, com objetivos culturais e artísticos, voltada à promoção e ao apoio das atividades do Theatro São Pedro. A entidade iniciou com 18 associados e hoje conta com um quadro com mais de mil "amigos". É através deste espírito de solidariedade que a associação consegue manter até hoje o Theatro São Pedro em plenas condições de funcionamento.
 

O PROJETO

        O projeto externo do prédio do São Pedro foi entregue por Felipe de Normann em 1852. Mas, a proposta recebeu críticas devido ao desacordo entre a fachada e o conteúdo, refletindo uma excentricidade: olhando de fora parece ter dois andares, quando na verdade são quatro. Outra curiosidade é que a plateia não manteve o corredor central, que abolido depois da reconstrução, para assegurar maior distância nas fileiras de poltronas e, assim, melhorar a visibilidade do público.


LABIRINTOS
        Os porões do Theatro São Pedro escondem labirintos e uma surpresa: as paredes originais do teatro chegavam a medir 2,5 metros de largura e eram encarregadas de sustentar todo o prédio. Ainda se pode encontrar trechos dessas paredes, que usavam uma argamassa bem peculiar: uma mistura de estrume, cal, leite e areia.

Pintura a óleo - Autor desconhecido - meados do éculo XIXO Lustre
O LUSTRE
        A luminária original possuía um dispositivo para evitar que a cera das velas caísse sobre o público. Tanto cuidado não evitou que o lustre sumisse por um bom tempo, sendo localizado a muito custo na Igreja Matriz de Rio Pardo (RS), sem grande parte dos pingentes de cristal, levados (presumivelmente) por turistas. O lustre atual foi confeccionado na Capital gaúcha, com mais de 30 mil peças de cristal nacional e oriundas da Boêmia.

IMAGENS
        (Pintura a óleo – Autor Desconhecido – meados do século XIX)
        Paisagem a óleo que retrata a Praça da Matriz, os prédios do Theatro São Pedro e da antiga Casa da Câmara, a rua da Ladeira (atual General Câmara). Ao longe pode-se ver a Biblioteca Pública do Estado e o Lago Guaíba. Flutuando no mastro do teatro, a bandeirola anuncia à cidade que havia espetáculo.
 
Auditório Araújo Viana e Theatro São Pedro ao fundoARAÚJO VIANA
Theatro São Pedro em ruinas        O antigo auditório Araújo Vianna, que era uma Concha Acústica  a céu aberto, em estilo neoclássico, contava com bancos rodeados por caramanchões -  construído no local onde hoje está a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Foi inaugurado em 1927 e demolido em 1958 para a construção do atual prédio da AL.
 
REFORMA
        Todo o miolo do teatro foi retirado. Por anos, restaram apenas as velhas paredes entre os andaimes. Os vazios foram preenchidos aos poucos, à medida que chegavam os recursos, com o resgate da volumetria e a notável acústica originais. Vigas de aço substituíram a madeira. Instalações hidráulicas e elétricas foram inteiramente refeitas. As escadas laterais, originalmente destinadas aos escravos que atendiam os senhores acomodados nos camarotes, deram lugar a modernas instalações sanitárias. Os gradis foram recuperados e as portas refeitas a partir de seis exemplares remanescentes. A partir de um fragmento de veludo francês, foi escolhido um veludo idêntico para as poltronas. O lustre foi inteiramente recriado pelo arquiteto Carlos Mancuso, com inspiração no original de 68 mangas de cristais. Concluído, ficou com quase quantro metros de comprimento e cerca de 600 quilos, acrescido de um mecanismo para subir e descer para a manutenção anual. A pintura do forro, com motivos da flora e da fauna gauchescas, foi elaborada por Léo Dexheimer, Plínio Bernhardt, Danúbio Gonçalves e Carlos Mancuso.

Manifestação do Abraço
MANIFESTAÇÃO DO ABRAÇO
        Em março de 1991, cerca de 200 pessoas, sob a liderança da Cia de Ópera Seca, de Gerald Thomas, e tendo a frente a atriz Bete Coelho, participaram da manifestação em defesa da permanência de Eva Sopher como diretora da casa, que corria o risco de ser afastada do cargo pelo governo de então. Admiradores de Dona Eva, representando diferentes áreas da cultura, gritavam “fica, Dona Eva, fica”. A presidente da Fundação Theatro São Pedro abanava da sacada do prédio, que ostentava uma tarja preta na fachada. Os manifestantes deram-se as mãos, formando uma corrente ao redor do teatro. Logo após o ato, muitos foram ao café do teatro, onde Eva Sopher foi “abraçada” pelos amigos, reunidos numa grande mesa. 
 
 
De vetusto e meio pesadão que era, ei-lo agora lépido, leve, quase aéreo, pronto a acolher a jovens e velhos, ou melhor, aos jovens de todas as idades, pois o amor à arte e à beleza é o segredo
de não envelhecer.

Mario Quintana

28/06/1984

 
 
 
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