Theatro São Pedro - Porto Alegre

Porto Alegre recebe o espetáculo “Jim”

Um espetáculo-show inspirado na obra poética de um dos maiores ícones do rock: Jim Morrison. São onze canções clássicas do The Doors, como Light My Fire, The End e Riders on the Storm, cantadas ao vivo por Eriberto Leão.

Sucesso de público e crítica, o espetáculo “Jim” chega ao Teatro São Pedro, em Porto Alegre, pelo projeto Vivo EnCena, em apresentações únicas na cidade, entre 07 e 09 de outubro. Após a sessão do dia 09 de outubro, está previsto um bate-papo da série “Encontros Vivo EnCena”, com a participação dos artistas Eriberto Leão e Renata
Guida e do curador do projeto, Expedito Araujo. Além da proximidade com a artista, o encontro permite aos participantes conhecer e compartilhar histórias inspiradoras e ideias transformadoras para a cultura brasileira. Após apresentações na capital gaúcha, espetáculo segue para São Paulo, onde ficará dois meses em cartaz.

“Jim era um pensador, um filósofo. Suas palavras são perenes, não ficam datadas. O maior legado dele é a poesia, então se fizéssemos um musical biográfico convencional não estaríamos sendo fiéis ou coerentes com a obra dele”, revela o ator Eriberto Leão, protagonista do musical “Jim”, de Walter Daguerre, que conta a história de um homem que não conheceu o vocalista do The Doors, mas teve sua vida pautada por suas ideias e ideais. Um espetáculo-show não biográfico, idealizado por Eriberto, dirigido por Paulo de Moraes e produzido pela Barata Comunicação, inspirado na obra poética de um dos maiores ícones do rock. “Quando comecei a pesquisar, descobri um Jim Morrison que não imaginava e que muita gente não sabe quem é, então vimos que precisávamos trazer uma outra ideia do Jim para o público”, detalha o autor. São 11 canções clássicas do The Doors, como “Ligth My Fire”, “The End”, “Riders on the Storm”, cantadas ao vivo por Eriberto. Em cena 2 atores e 3 músicos (teclado, guitarra
e bateria).

“Queremos revelar o mundo interno de JIM. Não quero contar a história dele, interpretar sua biografia. A única coerência que me interessa é em relação à poesia do Jim. A grande luta da vida dele era para ser reconhecido como poeta”, relata Eriberto, que interpreta João Mota, um homem de quase 40 anos, que não conheceu Morrison pessoalmente, mas durante anos sonhou em seguir os passos do ídolo, como artista e ser humano. “São dois planos paralelos, Mota num acerto de contas com Jim, e o vocalista encarnado no personagem, que quer se matar, achando que foi isso que o ídolo fez”, destaca o diretor.

Na trama, João está diante do túmulo de Jim, em Paris, no cemitério PèreLachaise, com uma arma em punho, para acertar as contas com o vocalista, que morreu antes de Mota o conhecer. Ele tem apenas uma bala, uma pequena peça de chumbo com a qual pretende transformar seu destino num jogo se azar. Seria um acontecimento simples, se não fosse a presença diabólica de Jim e a aparição de uma misteriosa mulher, interpretada por Renata Guida, que representa o feminino de diversas formas- Pamela Morrison (mulher de Jim), a esposa de João Mota e ainda a mãe Terra. A presença da personagem pode ser interpretada também como uma consciência intuitiva profunda de João.

Eriberto Leão, grande fã de Jim Morrison e do The Doors, tem esse projeto desde que conheceu a banda em 1991 e, através deles descobriu sua vocação como ator. “Conheci eles com 18 anos, vendo o trailer de um filme sobre o The Doors. Depois disso vi três sessões seguidas e fiquei alucinado. Eu sempre soube que iria fazer esta
peça. Isso me influenciou muito, inclusive na minha profissão”, conta o ator que completa 20 anos de carreira.
Conhecido por performances intensas e teatrais, letras recheadas de simbolismo, referências ao xamanismo e uma personalidade selvagem, o vocalista do The Doors, cantor, compositor e poeta norte-americano, ganha uma homenagem que traz suas referências ideológicas não apenas por meio de seus versos, mas de seus ídolos, grandes nomes da literatura, como Wiliam Blake, Baudellaire, Rimbaud, Nietzsche, entre outros. Um texto que perpassa por conceitos de mitos pagão e arquétipos, além de apresentar uma abordagem que dá enfoque ao lado poético e simbolista de Morrison.

“Todos tem muitos “eus” que não demonstram. O João expressa os pensamentos, contradições, expondo toda sua fragmentação. Ele gostaria de ter uma vida tão intensa quanto a do Jim, mas não teve, então ele chega aos 40 anos e tem uma crise, daí toda a angústia e tormento”, explica Daguerre. Ao longo de uma bem sucedida trajetória nos palcos, o espetáculo recebeu o Prêmio APTR 2014 nas categorias “Melhor Iluminação” e “Melhor Música”, além de diversas indicações aos prêmios Shell e Cesgranrio.

O cenário, também assinado por Paulo de Moraes, é composto por um piano de cauda/lápide e 6 microfones. Completam a ficha técnica Maneco Quinderé, responsável pela iluminação, Rita Murtinho que assina os figurinos e Ricco Vianna na
direção musical.

Após a sessão do dia 8 está previsto um bate-papo da série Encontros Vivo EnCena com a participação dos artistas Eriberto Leão e Renata Guida e do curador do projeto Expedito Araujo.

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