Theatro São Pedro - Porto Alegre

Espetáculo “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” faz abertura oficial da 11ª FestiPoa Literária no Theatro São Pedro

Traga-me a cabeça de Lima Barreto”, espetáculo consagrado pela crítica e público, chega a Porto Alegre para apresentação especial da abertura oficial da 11ª edição da FestiPoa Literária, no dia 18 de abril, às 21h, no palco principal do Theatro São Pedro.

Escrito pelo diretor e dramaturgo Luiz Marfuz especialmente para comemorar os 40 anos de carreira do ator baiano Hilton Cobra e com direção de Fernanda Júlia do (NATA – Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas), a peça mostra uma imaginária sessão de autópsia na cabeça de Lima Barreto, conduzida por médicos eugenistas, defensores da higienização racial no Brasil, na década de trinta. O propósito seria esclarecer “como um cérebro considerado inferior poderia ter produzido uma obra literária de porte se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças tidas como superiores?”. A partir desse embate, a peça mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, refletindo sobre loucura, racismo e eugenia, a obra não reconhecida e os enfrentamentos políticos e literários de sua época.

Traga-me a cabeça de Lima Barreto” cumpriu temporada no Rio de Janeiro, Salvador, Teresina e São Paulo, onde colheu diversos elogios do público e crítica. O espetáculo foi encenado também na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty/RJ, onde o escritor foi o homenageado.

O espetáculo marca um reencontro de Cobra com a obra do escritor – em 2008, o ator protagonizou a versão cênica de Luiz Marfuz para o clássico da literatura O Triste Fim de Policarpo Quaresma. Desta vez, a peça é inspirada livremente em romances, contos e crônicas Lima, especialmente Diário íntimo e Cemitério dos vivos, consideradas autobiográficas. Trechos dos livros e da vida breve do escritor – viveu apenas 41 anos –  se entrecruzam com uma situação imaginária e se espalham em quatro espaços dramatúrgicos: o colóquio com a plateia; as confissões íntimas; a voz do delírio e o discurso dos eugenistas. Todos se enredam nos fios nervosos da cabeça encantada de Lima Barreto.

A narrativa ganha força com trechos dos filmes “Homo Sapiens 1900” e “Arquitetura da Destruição” – ambos cedidos gentilmente pelo cineasta sueco Peter Cohen – que mostram fortes imagens da eugenia racial e da arte censurada pelo regime hitlerista. O cenário, de Marcio Meirelles – um manifesto de palavras – contribui para a força cênica juntamente com o figurino de Biza Vianna, a luz de Jorginho de Carvalho, a direção de movimento de Zebrinha, a música de Jarbas Bittencourt e os vídeos de David Aynnan. Os atores Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Déda, Hebe Alves, Rui Manthur e Stephane Bourgade – todos amigos e admiradores do trabalho de Cobra, emprestam suas vozes para a leitura em off de textos de apoio à cena.


 

Ficha Técnica:

Ator - Hilton Cobra | Dramaturgia – Luiz Marfuz | Direção – Fernanda Júlia - | Cenário – Vila de Taipa (Laboratório de Investigação de Espaços do Teatro Vila Velha), Erick Saboya, Igor Liberato e Márcio Meireles | Direção de Movimentos – Zebrinha | Direção Musical – Jarbas Bittencourt |Direção de Vídeo – David Aynnan  | Desenho de Luz – Jorginho de Carvalho e Valmyr Ferreira | Figurino -Biza Vianna  | Assist. Direção, Preparação corporal e vocal – Fernando Santana | Adereços – Dominique Faislon | Design gráfico – Bob Siqueira e | Produção executiva – Afonso Drumond | Ass. de Imprensa – Marcia Vilela |Fotos – Adeloya Magnoni.

Participações especiais (voz em off): Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Deda, Hebe Alves, Rui Manthur e Stephane Bourgade