Theatro São Pedro - Porto Alegre

Carlos Nejar e Fabrício Carpinejar relembram suas trajetórias líricas no palco do Theatro São Pedro

Fabrício Carpinejar e o pai, Carlos Nejar, celebram 20 e 60 anos de carreira literária, respectivamente em espetáculo que relembra momentos das suas trajetórias líricas no dia 24 de outubro (quarta-feira), às 21h, no palco principal do Theatro São Pedro, com entrada franca.

Os escritores, poetas, pai e filho, Carlos Nejar e Fabrício Carpinejar estreiam “Poesia de Pai Para Filho – Encontro de Duas Gerações”, o espetáculo teatral com a leitura dos principais títulos de ambos, mostrando a cumplicidade na criação dentro de casa, seja em dicas do método literário, ou em histórias de aprendizado. Em versos, a montagem faz também uma homenagem sobre a importância da família. A peça é comemorativa das seis décadas de literatura de Carlos Nejar, 79 anos, membro da Academia Brasileira de Letras, e indicado ao Nobel pela Academia Brasileira de Filosofia; e os 20 anos de carreira de Fabrício Carpinejar, 45 anos, premiado com o Jabuti e Associação Paulista dos Críticos de Arte. “A ideia veio do filho, e depois acolhi porque é muito importante pra mim estar junto dele. Penso que a poesia tem que ser dita, pois na oralidade ela se abre e comove. No papel é fria. Na fala, é ardente e humana. O espetáculo vai nos aproximar mais dos leitores, porque não é apenas a voz, é também o rosto, a forma de ser e dizer”, explica Carlos Nejar.

Esta é a primeira vez que os poetas se unem para uma apresentação com a proposta de mostrar a troca de experiências e de cumplicidade entre pai e filho. “Era um sonho antigo. Eu o pai vamos reviver tudo aquilo que vivemos na infância. Um exemplo é a varanda de relâmpagos. Sempre que ia chover, minha mãe e irmãos corriam para dentro. Eu e meu pai fazíamos o movimento contrário. Pegávamos as cadeiras de praia e íamos assistir ao “teatro dos relâmpagos”. Mãe e irmãos gritavam pra gente ir pra dentro. E, eu e ele, em nossa cumplicidade, sabíamos que viver é ter coragem. Ter um poeta como meu pai, me fez ter coragem para ser poeta”, declara Fabrício Carpinejar. E Carlos Nejar confessa ser emocionante recitar junto ao filho. “Poeta como eu, comunicador de vocação e que sabe recitar poemas, algo que só se aprende na medida em que a gente cria. Eu sei que cada um tem a sua entonação e nós formamos uma boa dupla. São duas gerações que se unem na palavra de pai a filho. Embora a poesia se estenda a todas as gerações porque é uma estado de êxtase e beleza. Nós somos muito próximos, a poesia nos reúne, como se fosse uma alma coletiva. E, na minha visão, a poesia não é apenas uma maneira de estar no mundo, poesiaé uma maneira de estar com todos”, acredita o pai.

No palco, duas gerações diferentes de autores, apresentando os seus ideais de criação literária, o seu método de trabalho, as dificuldades e desafios que tiveram que superar para alcançar o reconhecimento. No texto, momentos das suas trajetórias líricas. Carlos Nejar faz leitura de seus poemas prediletos e Fabrício conta histórias da convivência entre eles. “É poesia e crônica se envolvendo. Falamos o quanto são duas dicções diferentes, dois temperamentos diferentes, duas gerações diferentes, mas ambas partilham o mesmo respeito em ouvir. Ouvir a tempestade, ouvir a respiração, ouvir o coração”, adianta Carpinejar.

Em cena, todas as poesias são trabalhadas a partir de objetos simbólicos e emocionais, como relógio, escapulário, porão, retrato,mostrando um universo marcado por rituais masculinos. Juntos, Carlos e Fabrício explicitam que o homem chora, se emociona e que está cada vez mais aberto a transparecer seus sentimentos de continuidade e afinidade. Nada melhor que a relação entre pai e filho para realizar as confissões dos medos e alegrias entre os homens. “No mundo de extremismo, de intolerância, a gente quer mostrar o quanto que a poesia cumpre essa carência de emoção. A poesia ensina a aceitar a solidão e aceitar as diferenças. Quem tem poesia em sua vida, é mais sensível e menos preconceituoso”, acredita Carpinejar.


SERVIÇO:

“Poesia de Pai Para Filho – Encontro de Duas Gerações”

Datas: 24 de outubro (quarta-feira), às 21h

→ Entrada franca. Retirada de ingressos na bilheteria do Theatro São Pedro a partir do dia 22, às 13h, até o dia 24 às 18h30 (ou até esgotarem os ingressos). Lotação sujeita a capacidade do local.

Estacionamento do Multipalco Eva Sopher

Aberto ao público de segunda a sábado e para todos os espetáculos, com desconto para associados da AATSP